Educação

Processo de Bolonha

Por Patrícia Álvares

Há dez anos, em junho de 1998, oitenta reitores das universidades mais antigas da Europa, ao comemorarem os 900 anos da Universidade de Bolonha, província no centro norte da Itália, declararam-se preocupados com a desconexão do ensino superior europeu com o mercado de trabalho.

 

Essa manifestação deu origem ao que hoje é conhecido como o Processo de Bolonha que, ainda em construção, tem como finalidade “construir um espaço europeu do Ensino Superior que promova a mobilidade de docentes, de estudantes e a empregabilidade de diplomados” por meio da geração e desenvolvimento de competências.

O Processo de Bolonha conduz os países-membros da Comunidade Comum Européia à formulação de uma matriz de reformas que permitirá que o ensino superior torne-se mais atrativo e mais competitivo.

Segundo Sônia Fonseca, mestre em Administração, doutora em educação e autora de tese sobre o assunto, o processo pode marcar uma revolução no ensino superior, “principalmente no que tange a alteração do sistema de ensino baseado na idéia da transmissão de conhecimentos para um sistema pautado no desenvolvimento de competências. O processo, de certa forma, servirá de modelo para a educação superior de muitos outros países fora da Comunidade Comum Européia”. Sônia acredita que as escolas, principalmente as de Administração, ainda adotam os modelos taylorista, fayolista e weberiano – utilizados na gestão da era industrial e que concebem a formação do conhecimento como uma linha de montagem: “As entradas de matéria-prima do modelo da gestão industrial correspondem ao ingresso de alunos traduzidos em matrículas feitas na Secretaria Geral que vão alimentar todo o processo de produção”, esclarece a administradora.

Assim, a Formação do Produto é concebida como a transmissão do conhecimento dentro das Instituições de Ensino Superior (IES). Nesta fase, contrata-se o professor (operário) para desenvolver a dimensão discente (o produto) com características passiva e receptiva.

Na dimensão discente, ou pedagógica, o professor é contratado apenas para ministrar a disciplina, sem, contudo, conhecer o currículo do curso, o Projeto Político-Pedagógico e o Projeto de Desenvolvimento Institucional da IES. Dessa forma, conhecendo apenas parte do todo, ele também desenvolve “meio” processo.

Extraido da Revista Brasileira de Administração (http://www.rbaonline.org.br/)

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